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Transações polêmicas e criativas marcam união de incorporadoras
17/09/08 - InfoMoney | voltar |
 

SÃO PAULO - Os termos utilizados para qualificar os movimentos recentes de consolidação do setor imobiliário vão de "operações criativas" até "reações desesperadas", segundo apurou a InfoMoney. Do ponto de vista da postura de excelência em relação à governança corporativa, sobram pontos questionáveis, mas falta consenso.

Juridicamente, não há dúvidas. Tanto a Gafisa-Tenda como a Brascan-Company foram incorporações, através de troca de ativos e de ações. Como o controlador não vendeu sua participação, não houve tag along.

"Toda vez que há uma incorporação é sempre visando uma maior sinergia, que vai fortalecer a empresa, sem prêmio de controle, de tag along", explica Heloisa Bedicks, diretora-executiva do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Argumento defendido pelos executivos envolvidos nas transações.

Bom negócio?
Apesar de ser considerado um dos drivers da construção civil, a etapa mais intensa de concentração não tem arrancado suspiros positivos na Bovespa. Desde a transação Gafisa-Tenda até a semana passada, os papéis de Tenda (TEND3) desabaram cerca de 30%; os da Gafisa (GFSA3) caíram 1,15%. Já os de Brascan Residencial (BISA3) e Company (CPNY3) pouco se movimentaram nos últimos dias.

"O mercado não comprou a idéia de que os controladores adotaram a melhor opção. As empresas têm se aproveitado de brechas da lei que não estão dentro do espírito das melhores práticas de governança. Nesse aspecto, não necessariamente o que é legal é positivo", opina Alexandre Di Miceli, coordenador-executivo do Centro de Estudos em Governança Corporativa da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).

Na visão de Di Miceli, é primordial o gestor mostrar aos acionistas que essa era a melhor decisão a ser tomada. Ele cita que, em caso de dificuldade, o principal executivo da empresa poderia ter tentado o aumento de capital junto aos próprios acionistas. "No caso da Tenda, é importante lembrar que antes 51% eram do controlador e 49% dos minoritários, que foram diluídos para 20% e não ganharam nada com isso. Será que essa foi a melhor operação?".

Nesta operação, o CEO e presidente do conselho da construtora, Henrique Pinto, não vendeu sua parte, ele emitiu mais ações, em troca da subsidiária de baixa renda da Gafisa, de forma que a incorporadora passaria a ter 60% do controle da empresa. No outro episódio, a Company foi incorporada por uma subsidiária da Brascan, através da emissão de novas ações BISA3, que era negociada na faixa dos R$ 6,30, mais o pagamento de R$ 200 milhões para os acionistas da primeira, que possuíam papéis valendo cerca de R$ 10,20.

Práticas de governança?
O fato é que, nestas manobras, a essência da governança corporativa - tomar decisões que maximizem o valor para os acionistas - não fica completamente clara. Para Heloisa Bedicks, faltam informações para entrar no mérito mais profundo da questão. "Não dá para saber a real intenção dos controladores", reconhece.

Eduardo de Barros, sócio da consultoria Nova Financial, acredita que os movimentos estão alinhados às melhores práticas de governança. "O Novo Mercado não diferencia acionistas, vale a vontade de quem tem mais ação. No caso típico da Company-Brascan, a operação não é feita em detrimento ao minoritário. Caso se sinta lesado, o mercado hoje permite a qualquer acionista tomar as medidas jurídicas cabíveis", interpreta.

A percepção de alguns especialistas é que a opção por utilizar este tipo de integração de atividades escancara a atual divisão do setor entre consolidadores e alvos sem nenhum poder de barganha. "Quem quer comprar quer condições mais vantajosas possíveis. Praticamente não há desembolso de caixa, você adquire outra empresa por meio do patrimônio sem gastar nada", conclui o executivo da Fipecafi.

Por: Conrado Mazzoni Cruz

 
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