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Empresa aberta busca consolidação
31.07.2008 - DCI Online | voltar |
 

SÃO PAULO - Dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid) mostram que a maior parte da captação - especificamente 39,4% total - de empresas durante o primeiro semestre deste ano com emissão primária de ações foi levantada com a intenção de possibilitar a aquisição de participação acionária. No ano passado, essa alocação ocupava o segundo lugar nas emissões, representando 21,6% do total. O aumento, segundo analistas ouvidos pelo DCI, mostra uma tendência de consolidação das companhias com capital aberto, em especial as dos setores de construção civil, telecomunicações e educação. O motivo seria a necessidade de geração de escala, com mais ganhos e custos reduzidos - combinação que permite mais competitividade.

Conforme a Comissão de Valores Mobiliários, no período, quatro empresas emitiram ações, somando R$ 7,6 bilhões. São elas: OGX Petróleo (R$ 6,7 bilhões), Le Lis Blanc (R$ 170 milhões), Hypermarcas (R$ 800 milhões) e Nutriplant (R$ 20,7 milhões). Do valor total, 37,2%, segundo a Anbid, seriam utilizados para atividades operacionais e para investimentos em infra-estrutura. No ano anterior, essa fatia representava a maior parte das destinações: 33,8% do total.

"Quando uma empresa vem a mercado, ela já tem a intenção de comprar outras empresas", lembrou Marcelo de Faro, economista da Intra Corretora. "Isso deve estar se acentuando um pouco mais porque, de certa forma, as cotações caíram bastante nos últimos meses. Então, algumas companhias aproveitam esse momento desfavorável a outras empresas para fazer uma fusão e fortalecer o seu negócio", lembrou o especialista. Faro indicou que o setor de telefonia, exatamente pela necessidade de investimentos por ele demandado, é um daqueles que já passam por um processo de consolidação. O exemplo mais recente verificado nesse sentido é a compra da Brasil Telecom pela Oi (Ex-Telemar), feita há poucos dias. A compra de ações preferenciais da companhia, feita como parte da estratégia de aquisição, movimentou R$ 947 milhões no pregão eletrônico do último dia 22, atingindo o objetivo, que era a aquisição de até um terço dos papéis da empresa em circulação.

Especialistas vislumbram ainda que o setor de construção civil tenha, em cinco anos, a metade de empresas listadas na Bolsa. Atualmente, são 25 as companhias. "Nos Estados Unidos são cerca de cinco empresas", afirmou Roberto Hage, da Nova Financial. "Esse segmento tem grandes riscos, com perda média de 30% nos últimos 12 meses encerrados em junho", justificou. A opinião não é isolada. "As grandes companhias comprarão as menores que estiverem com fluxo de caixa positivo", prevê a analista de renda variável da Global Equity, Mariana Gonçalves. A Cyrela, por exemplo, anunciou recentemente a incorporação da Agra. Conforme comunicado encaminhado ao mercado, a combinação das duas companhias "consolidará a posição de liderança da Cyrela no mercado de incorporação imobiliária com landbank de aproximadamente R$ 30 bilhões de vendas potenciais e lançamentos previstos para 2008 em torno de R$ 10 bilhões [sendo cerca de 65% a participação relativa da companhia combinada]".

Mariana também acredita que o ramo de educação tem um grande potencial de consolidação. Apesar de poucas empresas do segmento possuírem capital aberto - hoje são quatro: Estácio Participações, Anhanguera Educacional Participações, Kroton Educacional e Sistema Educacional Brasileiro -, o setor passa, atualmente, por uma "profissionalização". "Essas empresas eram familiares. Hoje, fundos de investimentos tentam fazer essas companhias serem mais rentáveis. O País demanda muito esse setor", afirmou a analista.

Para o diretor da Trust Investimentos, Edson Hydalgo Júnior, a utilização do mercado acionário para a consolidação de empresas resulta não só em ganho de escala e diminuição nos custos, mas também no desenvolvimento dos negócios de renda variável. "Para abrir capital, a empresa precisa seguir normas de governança corporativa, que levam a uma gestão mais profissional", disse.

 
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