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Securitização reduz ritmo de crescimento
18.12.2008 - DCI Online | voltar |
 

SÃO PAULO - Acumulando um crescimento pujante em 2008 -o volume estocado até dezembro avançou 146% sobre janeiro-, as emissões de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) começam a dar sinais de arrefecimento. O colapso financeiro internacional, que teve seu efeito no Brasil, refletiu-se em uma desaceleração no lançamento dos títulos, por conta da menor procura pelo mecanismo por parte dos bancos.

Segundo dados da Cetip, o volume total estocado passou de R$ 2,8 bilhões em janeiro deste ano para R$ 6,9 bilhões até o último dia 17. Contudo, desde setembro o ritmo de avanço mensal diminui: dos R$ 5,9 bilhões verificados no último dia daquele mês para os R$ 6,3 bilhões de 31 de outubro, o crescimento foi de 6,78%. Comparando-se o volume daquele mês aos R$ 6,9 bilhões da prévia de dezembro, o incremento foi um pouco maior, mas abaixo de dois dígitos: 9,52%. Entre janeiro e março, o avanço superou 30%.

"O forte crescimento de 2008 foi puxado principalmente pela procura desses títulos pelos bancos", explicou o diretor executivo da RB Capital, Glauber Santos. "Uma flexibilização do Conselho Monetário Nacional permitiu que eles investissem parte do dinheiro da poupança na compra dos CRIs", continuou. Pelas determinações do Sistema Brasileiro de Poupança, 65% do dinheiro oriundo desse tipo de investimento deve ser repassado ao Sistema Financeiro da Habitação, por meio de liberação de crédito. A compra de CRIs passou a ser uma opção há cerca de dois anos, mas, segundo Santos, houve maior procura dos bancos pelo mecanismo em 2008. "Como a crise é de crédito, o mercado mais atingido pela restrição da liquidez é o bancário. Por causa disso, eles diminuíram suas posições no título", completou o executivo. A RB Capital havia emitido, até setembro, R$ 600 milhões por meio do título. De lá até dezembro, foram feitas apenas mais duas emissões, que totalizaram R$ 50 milhões. Para o diretor da Brazilian Securities, Fernando Cruz, o crescimento verificado em 2008 se deve principalmente aos benefícios fiscais oferecidos. "Nós conseguimos isenção de Imposto de Renda e de Imposto sobre Operações Financeiras para a pessoa física. E é isso que o diferencia dos fundos de investimento e de outros tipos de aplicação."

Com a menor procura de compra por parte das instituições financeiras, os principais investidores do papel são as pessoas físicas responsáveis por grandes fortunas, oriundas de private banking, seguidos pelos fundos de pensão. "Havia um conservadorismo por parte do private banking. Agora, por conta da restrição de liquidez, eles estão se voltando para outras alternativas, com operações bem estruturadas", comentou Santos. A rentabilidade também foi um fator determinante para o aumento da procura de pessoas físicas pelo produto, além da isenção do IR. Antes do repique da crise, papéis atrelados à inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) rendiam o benchmark mais cerca de 7,5% ao ano. No auge da turbulência internacional, essa proporção chegou ao pico de inflação mais 11% ao ano. Agora, existe um processo de normalização, e alguns contratos estão sendo negociados a 8% ao ano, mais o IPCA.

Perspectivas 2009

Na RB Capital, estão em processo de emissão mais duas operações, que somam R$ 150 milhões. Santos prevê que, em 2009, os negócios somarão valores menores do que os de R$ 2008, em torno de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões. "O primeiro trimestre do ano que vem não será tão crítico para o mercado quanto o último deste ano", avaliou Bruno Amadei, sócio da Integral Trust . "Mas no período ainda vai ser avaliado um processo de ajuste da economia", previu, estimando que o mercado de securitização voltará com força a partir do segundo semestre.

Outros executivos estão mais otimistas. "Por um lado, há uma restrição de crédito. Ao mesmo tempo, o CRI é uma alternativa ao financiamento bancário. Empresas que precisam de alavancagem financeira podem encontrar uma forma barata e rápida", comentou Eduardo de Barros, da Nova Financial. A empresa foi criada há seis meses, e já analisa R$ 300 milhões em emissões. No primeiro trimestre deste ano, serão feitos dois lançamentos dos títulos. "Estamos com muita demanda", garantiu Barros.

"Até o ano passado, houve uma explosão no número de lançamentos imobiliários. Esses empreendimentos levam de 18 a 24 meses para começar a gerar crédito. Portanto, no ano que vem, ainda teremos um grande volume de imóveis que poderão lastrear os CRIs", ponderou Cruz, da Brazilian Securities.

Outra causa desse otimismo é a expectativa de que a isenção de IR, hoje válida somente para as pessoas físicas, seja estendida a empresas e a estrangeiros. "Formamos um grupo de trabalho, e já estamos discutindo as propostas com o Ministério da Fazenda. Devemos ter novidades no decorrer do próximo ano."

 
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