SÃO PAULO - A participação
de investidores pessoa física no mercado de capitais
brasileiro esta em forte crescimento. Ao anunciar o encerramento
de distribuição pública de Certificados
de Recebíveis Imobiliários (CRI) da Petrobras,
com valor total de R$ 200,1 milhões, foi possível
elucidar a participação de pessoas físicas
no negócio. Foram 90 subscritores que totalizaram uma
movimentação financeira de 93,9 milhões.
Segundo Eduardo de Barros, sócio da Nova Financial,
esta é uma excelente oportunidade para os investidores.
"É um risco muito bom. Tem uma precificação
muito boa e ainda é isento de Imposto de Renda. O investidor
pode encontrar uma alternativa muito boa de rentabilidade
com um papel que tem liquidez. Ainda tem o nome Petrobras
por trás da operação", explica Barros.
Mauro Calil, professor e educador financeiro do Calil &
Calil - Centro de Estudos e Formação de Patrimônio,
também acredita que esta é uma valiosa oportunidade
para aplicar seus recursos. "Pela legislação,
o investidor qualificado sabe os riscos do mercado. Em média,
este investidor tem R$ 2 milhões reservados para investimentos",
afirma Calil. Vale lembrar que o investidor pessoa física
tem que realizar aplicação mínima de
R$ 300 mil para adquirir um papel de CRI.
"Pelo que vi no início da distribuição
deste CRI da Petrobras, a rentabilidade gira em torno do Índice
Geral de Preços do Mercado (IGP-M) mais 8,45% ao ano.
É uma ótima rentabilidade", diz Calil.
O IGP-M encerrou 2008 em 9,81%, mais os 8,45% pagos, que resultaria
em uma rentabilidade de 18,26% no ano passado. "Para
quem tem este dinheiro para deixar parado, vale muito a pena".
Segundo dados da Cetip (Balcão Organizado de Ativos
e Derivativos), de 14 de janeiro do ano passado até
ontem, o estoque de Certificados cresceu 156,2%, saindo de
R$ 2,863 bilhões para R$ 7,335 bilhões.
Além a participação de pessoas físicas,
com 90 participantes, teve 'Demais Instituições
Financeiras' com 8 participantes, que movimentou R$ 23,4 milhões,
'Clubes de Investimento' e 'Entidades de Previdência
Privada', ambos com 5 participantes, que chegou ao valor de
R$ 16,5 milhões cada um, e 'Companhias Seguradoras'
com apenas 1 subscritor, com volume financeiro de R$ 49,8
milhões.
Outros dois fatores podem ter influenciado este crescimento
de pessoas físicas neste tipo de negócio. "A
garantia de pagamento por ter a Petrobras pode ter aumentando
o número de investidores. Outro motivo foi que a operação
foi realizada no mercado de capitais, e distribuído
por corretoras e instituições financeiras",
diz Barros. "Esta é uma excelente oportunidade
para que os investidores conheçam ainda mais o mercado
de CRI", afirma Barros.
Para o professor de Finanças do Ibmec São Paulo,
Marcelo Guterman, há uma tendência de mais liberdade
para os investidores pessoa física, que pode justificar
não só este caso, mas outra onde a participação
foi elevada. "De maneira genérica, as pessoas
físicas tem uma característica cada vez maior
de investir por conta própria, por isso há um
crescimento em investimento pelo home broker", explica
Guterman.
A princípio, BRC Securitizadora iria emitir R$ 300
milhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários
lastreados em créditos imobiliários de responsabilidade
da Petrobras, porém o valor foi inferior ao programado.
Foram emitidos 1.000 Certificados, com cada um valendo R$
300 mil, todos nominativos e escriturais. O vencimento dos
papéis será em 12 de janeiro de 2022.
A distribuição havia sido aprovada conforme
deliberação da reunião da diretoria da
Petrobras, realizada no dia 22 de setembro do ano passado.
A oferta pública foi elaborada de acordo com as normas
de autorregulação da Associação
Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).
Investidores individuais ficaram com quase metade do R$ 200
milhões captados em Certificados de Recebíveis
Imobiliários lastreados em imóveis da petrolífera
estatal. |